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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Viagem de Páscoa

Menino debaixo do braço, 45 minutinhos de vôo - graças a Deus que é rápido porque o menino nãoparaquieto -, lá fomos nós para Borobudur - o templo budista mais antigo do mundo, construído lá pelos idos do século IX. Sol de rachar, milhões de escadas para subir, guarda-chuva alugado e muita água na mochila.

Em frente ao templo Borobudur, em Java Central
Obstinados, percorremos sete dos dez corredores que levam ao Nirvana. Não alcançamos a plenitude e saímos imperfetinhos que nem sempre fomos, mas vimos quase todos os 2 mil painéis de afrescos sobre a vida do tal Buda e, maravilhados, não desgrudamos os olhos das mais de 500 estátuas do dito cujo.

Prestamos bem atenção no nobre caminnho da vida de Buda, desde que era criança pequena num palácio distante, passando pelo tempo de Sidarta até a decisão de largar tudo e se transformar. Mas na hora de finalmente chegar aos três estágios finais do percurso budista - o Nirvana - demos de cara com a porta.

Ou melhor, com a placa que dizia: "Sinto muito, mas aqui vocês não podem entrar não. Ainda vão ter que penar mais um pouco". Não, na verdade era um aviso de que os últimos andares do templo estão fechados para limpeza. Ou um sinal divino pra nós, quem sabe? O fato é que a explicação mundana para o obstáculo à nossa peregrinação budista tem a ver com o Merapi.

Já ouviram falar dele? Mais um dos milhares de vulcões ativos da Indonésia, cuja última erupção, há poucos meses, cobriu o Borobudur de cinzas. O templo está só a 30 quilômetros mais ou menos do Merapi. Imagina do ladinho do vulcão, como não está. É claro que a gente foi lá ver. Uma destruição só, profundíssimos desfiladeiros e a gente com um menino a tiracolo. É. Foi bem rapidinho.

Visitamos também o templo hindu Prambanan. Antes de termos com Shiva e colegas, ultrapassamos uma multidão de fãs de criancinhas ocidentais. Todo mundo queria tirar uma foto com o menino branco dependurado no pai. A mãe maluca se metia em todas as fotos para garantir que todos os feicibukis do sudeste asiático mostrassem a foto da família completinha, com papais e MAMÃE, viu? Pelo menos nas páginas daquelas criaturas que não têm a menor intimidade com qualquer programa de apagamento de pessoas indesejáveis nas fotos (como eu)!

Falhei em sair nessa para registrar o momento cebridade


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O menino estava mamando bem menos e dormindo melhor quando decidimos viajar. Agora, tudo bagunçado de novo!

Vamos ter bastante tempo para faze-lo acostumar-se à rotina, já que estamos pobrezinhos de marré marré e vamos passar um bom tempo estudando vida de Buda pela internet mesmo.

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Na volta, lembramos que o feriado prolongado foi por causa da Páscoa! É mesmo! O bom daqui é que tem feriado de tudo quanto é religião e a gente celebra todos! Feliz páscoa, minha gente! Um pouquinho mais de luz pra todos nós vai bem, né não?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Blogagem coletiva: amamentação (Indonésia)

Nas prateleiras dos supermercados, uma infinidade de marcas de diferentes fórmulas infantis. Tem para todos os gostos e faixas etárias. Algumas, pasmem, são para crianças de dez anos! Na tevê, vários comerciais ressaltam as vantagens da fórmula infantil: mais cálcio, mais vitaminas, tudo que seu filho precisa.

E nos espaços públicos, lê-se shoppings, que aqui não há muito aonde ir, praticamente não há berçários. Alguns tem uma (e apenas uma) salinha para trocar o bebê, sem poltrona para amamentar. Já fiquei muitas vezes na fila e, na minha vez de usar a sala, as pessoas impacientes batiam muito na porta. Acho que o lugar é feito para uma troca de fraldas rápida e não para matar a fome do bebê.

Nas ruas, restaurantes e bares, desde que cheguei aqui, vi apenas duas mulheres amamentando em público. Ambas estavam cobertas com um pano. E o que acontece com a maioria das crianças? Passam fome na rua? Bem, não costumo dar de cara com recém-nascidos ou bebezinhos bem pequenos por aí. Mas há muitos com mais de três meses nos shoppings e restaurantes. Quase todos, exceto aqueles dois que mencionei, tomam mamadeira.

Tudo isso me faz crer em duas hipóteses. A primeira, que a maioria das mães prefere dar fórmula infantil a leite materno. A segunda, que mães e bebês muito pequenos ficam em casa, ou, pelo menos, não saem por aí para fazer compras ou comer um churrasquinho. Já vi muitos no pediatra, mas nenhum bebê menor de três meses na rua.

Um outro fator pode ter a ver com o fato de a maioria das mães não amamentar os filhos. As mulheres trabalhadoras na Indonésia só têm três meses de licença maternidade, o que pode levá-las a introduzir o leite artificial depois desse período. Talvez elas permaneçam mais em casa enquanto amamentam os bebês. Quando voltam ao trabalho, o bebê fica aos cuidados da babá, que obviamente recorrerá à fórmula. O que mais vejo aqui é babá dando mamadeira para as crianças. Só não entendi ainda por que as mães, quando podem amamentar, ficam em casa. Elas se sentem constrangidas em amamentar em público? Elas simplesmente nunca amamentam e preferem ficar em casa quando o bebê é muito pequeno?

Uma mãe indonésia confirmou que a maioria das mães usa fórmula e até escreveu uma postagem (sim, ela tem blog e é em inglês) defendendo o leite materno. Veja aqui. Mas, de acordo com ela, diferentemente do que poderia se pensar, as pessoas em geral são bastante abertas quanto à amamentação em público. Eu que o diga, porque já amamentei o menino em todos os lugares possíveis e imagináveis e nunca encontrei sequer uma cara feia.

Uma outra mãe, enfermeira neozelandesa que mora aqui há muito tempo e cujo marido é inglês, concordou. Ela acha, inclusive, que na Inglaterra, as pessoas foram muito menos gentis que aqui quando ela amamentava seus filhos.

Todas as mães brasileiras que eu conheço - cujos filhos vieram pequenininhos ou nasceram aqui - amamentaram até no mínimo o filho ou filha completar seis meses. Nenhuma teve problemas por amamentar na rua.

Como dá para perceber, o pouco que sei vem de conversas com algumas mães que conheço, é produto da minha experiência pessoal ou pura especulação. Não convivo com muitas mães indonésias e infelizmente não encontrei dados em inglês sobre o assunto. Só posso dar conta do que vivo em ambientes de classes médias e altas em Jacarta.

O fato é que, num lugar onde a maior parte das mulheres só mostra as mãos e o rosto, poderia se imaginar que tirar os peitos para fora causasse pelo menos espanto. Não aconteceu no meu caso, nem em muitos outros casos. Mesmo assim, eu sempre levo uma fraldilha para cobrir o menino. Não adianta nada. Ele puxa o pano e joga longe. O peito fica metade na boca do menino, metade de fora. E tudo bem.

É pena que, mesmo o país sendo aberto à amamentação em público, a prática mais comum seja aparentemente oferecer mamadeiras aos pequenos.

Para saber sobre amamentação em muitos outros cantos do planeta, acesse o site da Blogagem Coletiva!