Um dos raros passeios que gostamos de fazer aqui é ir à livraria do shopping Plaza Indonesia, a Aksara, todo domingo. Lá tem uma pequena seção para crianças, com tapetes e alguns banquinhos. João adora. Quando ele gosta muito de algum livro e não é muito caro, a gente leva.
Domingo passado fomos embora mais cedo, ficando apenas alguns minutinhos na livraria. Uma funcionária muito simpática nos espantou de lá. Explico: de tão curiosa no menino branquinho para os padrões indonésios, ela não parou de olhar para ele. Mas não era assim de longe. Era bem do nosso lado! Não dava nem para a gente disfarçar e olhar para outro lugar, fingir que ela nem estava ali e continuar com nosso ritual.
Ela sentou-se conosco e não saiu mais de lá. Perguntou o nome do menino, a idade. Respondemos, rimos e tal. Acabou a conversa. A moça não foi embora. Ficou olhando fixamente para o menino. Sabe quando alguém fica te encarando de longe? Nesse caso, era bem de perto. Engraçado e tenso ao mesmo tempo. Causa um desconforto que chega a ficar insuportável. Os indonésios são mesmo curiosos com estrangeiros e agem como crianças, sem dar menor bola para privacidade alheia.